quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Mundo caótico, arte abstrata!

Itinerário Interno é o título de um livro de poesia do poeta belenense Pedro Viana, desde que ganhei este livro em um sorteio na rádio eu me apaixonei por tal título, tente sentir a comunhão destas palavras, há muito que filosofar em cima delas. Estive relendo este livro que ganhei em junho de 2007 e é engraçado como às vezes levamos tempo para perceber algumas das leituras mais belas que em outrora deixamos passar, talvez por menosprezar ou simplesmente por não entender a abordagem em outro momento.

Livro Itinerário Interno_ Pedro Viana


O texto de apresentação é do paraense Antonio Moura, ele é roteirista de cinema e vídeo, Antônio Moura atua como professor no Centro de Comunicações e Artes do SENAC-SP, além disso, é poeta com vários poemas publicados no Brasil e no EUA. Minha reflexão será em cima deste texto e não do livro em si (livro que por si só renderia uma boa discussão, pois é fantástico).. Ele começa o texto com uma citação de Paul Klee, pintor suíço que misturava em suas obras as influencias do expressionismo, cubismo, futurismo, surrealismo, e abstracionismo, mas suas imagens são difíceis de serem classificadas. A citação é a seguinte:

“Quanto mais caótico torna-se o mundo, mais abstrata torna-se a pintura”.

(Cabeça de Homem, Paul Klee, 1922)

A seguir Pedro Viana faz uma reflexão em cima desta citação:

“Quanto mais caótica, quanto mais impermeável e assustador o cenário exterior que nos cerca, mais a expressão busca paisagens interiores por onde transitar e habitar. Não como fuga, mas como necessidade de recriar um espaço vivo, buscando, através de suas imagens, a possibilidade de uma existência mais próxima do ser”.

Creio que a pintura é uma das formas mais incríveis de representação de mundo, nela podemos verificar todo um contexto histórico-social representado pelo pincelar de algum artista. Agora sim, vamos ao que interessa... Não vou me prender ao período clássico, neoclássico, renascentista, etc. Se abordassem tais temáticas daria para fazer uma monografia... Vou tratar mais especificamente, e de forma breve, sobre as vanguardas europeias.

Nos inícios dos anos 1900 vemos a Europa caracterizada por duas situações antagônicas: a euforia provocada pelo progresso industrial e o pessimismo causado pela consequência deste avanço, pessimismo que levou ao decadentismo simbolista. Este clima cria um ambiente propício para a arte, há a necessidade de expressar esta realidade, surge a partir de então várias tendências, as chamadas Vanguardas Europeias: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo e o Surrealismo. Após isso surge o modernismo português iniciado em março de 1915 com o lançamento da revista Orpheu e as tendências contemporâneas logo a seguir.

Futurismo

Foi iniciado em 20 de fevereiro de 1909, pelo escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti, o manifesto é muito grande, portanto, eis alguns de seus principais postulados:
- Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.
- Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
- Nós queremos a abominação do passado.

Esta tela é de Umberto Boccioni's, um dos principais artistas do movimento. Observe como ele retrata a modernidade a partir de um cenário turbulento da vida urbana, a velocidade, o futuro industrial que nega totalmente o passado.

O futurismo foi o pontapé inicial para a expressão de todo o sentimento social deste período, a partir de agora o artista poderia retratar a arte pela realidade, fugindo dos padrões preestabelecidos de técnicas e extrema beleza, como a perfeição dos padrões da antiguidade clássica. Quanto mais moderno se torna o mundo, mais vemos a desfiguração da arte, mais vemos os artistas interpretarem o mundo de forma mais abstrata.

Dadaísmo
Ao lembrarmos do Dadaísmo, que segundo a própria estética “não quer dizer nada”, porém na verdade diz tudo. A principal característica Dadaísta é a crítica ao capitalismo e ao consumismo, ironizando a modernidade e a política vigente.

(FALTA TERMINAR)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Conheça o PROPOST!

A cada dia que passa você já percebeu o quanto o hábito de escrever está se tornando retrógrado? Com o uso massivo das redes sociais cada vez mais as pessoas se limitam para escrever e o que vemos hoje é um mundo tomado por imagens "engraçadas".

Você acha isso certo e saudável?

Após séculos chegamos há um nível de intelectualidade que está se deteriorando, imagine o que Platão, Descartes, Aristóteles, Da Vinci, Camões, entre outros, achariam disso... Desenvolvemos uma filosofia para abrir as mentes da sociedade e hoje ela está na caverna mais do que nunca.

De certa forma estamos voltando a ser homens das cavernas que só sabiam se expressar por imagens. Talvez eles ainda tenham sido melhores, pois esta imagens ajudaram a contar a ua história na terra, agora o que um "meme" deixará?

PROPOST é uma nova rede social onde a ideias é estimular o hábito de escrever.

Aqui você poderá conhecer pessoas que tenham tal hábito ou que estejam a fim de desenvolver o mesmo, e o melhor, você só irá favoritar quem você achar interessante.
É como se fosse a união de muitos blogs.

O PROPOST é uma iniciativa de alguns jovens paraenses, que tal conhecer?

Acesse o link e crie sua conta:

http://www.propost.com.br/



OBS: Muitas ferramentas ainda não funcionam, pois estão em fase de aprimoramento.

AQUI A PROPOSTA É POSTAR!

FORREST GUMP, IT'S ONLY ROCK 'N' ROLL!


A trilha sonora do filme Forrest Gump é uma das mais célebres que já pude ouvir tão boa quanto às trilhas dos filmes de Quentin Tarantino, por exemplo, em Death Proof podemos ouvir até T. Rex... Mas o que há de mais interessante na seleção das músicas do filme é que elas acompanham uma ordem cronológica de tempo, se você analisar bem o contexto histórico (acompanhe o texto que o Alexandre escreveu e enviou anteriormente), que é retratado em determinada cena e for atrás do período em que determinada banda ou música fez sucesso, irá ver que datam do mesmo período.

No início do filme podemos ver Forrest ainda criança influenciando Elvis, isto nos remete a década de 50; podemos acompanhar o movimento hippie e a bandas que foram auge entre o movimento durante a década de 60 por criticar a Guerra do Vietnã e criar um clima de “paz e amor”; podemos ver o folk de Joan Baez e Bob Dylan despertando um sonho frustrado em Jenny em se tornar cantora, também na década de 60, momento em que o folk teve seu auge com suas canções políticas; vemos Forrest brigando na “festa de panteras negras”, segundo ele, ao som de Jimi Hendrix ou mais além, na década de 80 com Forrest mais velho e cansado querendo voltar para casa ao som de Bob Seger, que teve seu auge neste período.

A trilha sonora de Forrest Gump está na Lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame que relaciona os melhores álbuns já produzidos por artistas ou bandas de toda a história da música mundial de acordo com os critérios do Rock and Roll Hall of Fame e da National Association of Recording Merchandisers (NARM). Nesta lista podemos ver álbuns consagrados na história como: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Beatles), Sticky Fingers (The Rolling Stones), Blood on the Tracks (Bob Dylan), etc.

No final do texto há um link, basta você acessar e ver quais álbuns estão incluídos nesta lista. Também deixo um link para você acessar e ver a maioria das músicas que constam na trilha sonora do filme, que foi dividida em dois CD’s, você também pode ver uma seleção de músicas que tocam no filme, mas que não foram incluídas na trilha sonora, disponibilizo também para download as músicas pelo skyDrive.

A seguir segue uma seleção de músicas que fiz que talvez fossem as mais relevantes ao criar uma áurea mágica pela comunhão entre a melodia, letra e momento retratado.

1)“Blowin' In The Wind” – Bob Dylan

36 min de filme:
Vemos Forrest se dirigindo até o Estado de Memphis para assistir Jenny apresentar-se em um club stripper. Durante o anúncio de entrada de Jenny no palco ela é anunciada como “Nossa bela Beatnik, a loiríssima Bob Dylan!”.

Vale ressaltar o porquê de “Beatnik”, este que foi um movimento sociocultural nos anos 50 e princípios dos anos 60 que revelou um estilo de vida anti-materialista, na sequência da 2.ª Guerra Mundial, período em que o estilo folk esteve em alta, um sucesso entre a juventude do período.

O sonho de Jenny era ser cantora de folk como Joan Baez, nesta cena ela aparece cantando “Blowin' In The Wind” de Bob Dylan, música regravada por Joan Baez. Esta música muito vem a calhar com o contexto do filme nesta cena, e principalmente pelos sonhos da geração beatnik de paz e amor entre os homens, em um período de guerra:

Yes and how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes ele causará até saber
Que pessoas demais morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento



2)“Fortunate son” – Creedence

40 min de filme:
Forrest e Bubba chegam ao Vietnã, pois são convocados para a guerra. Durante esta cena onde o helicóptero os deixa no local e eles observam ao redor com um olhar de curiosidade, o próprio diálogo de ambos deixa a transparecer a falta de conhecimento da realidade da guerra. A trilha sonora é “Fortunate son” do Creedence, uma banda de country rock californiana que teve seu auge nas décadas de 60 e 70.

A música encaixa-se muito bem o momento descrito no filme de lutar incansavelmente pela pátria. Podemos até observar na letra da música uma forma subjetiva de falar da bandeira dos Estados Unidos:

Some folks are born made to wave the flag,
ooh, they're red, white and blue
(…)
Yeh, some folks inherit star spangled eyes,
ooh, they send you down to war, Lord,
And when you ask them, how much should we give,
oh, they only answer:
more, more, more!

“Alguns nasceram para agitar a bandeira
Elas são vermelhas, brancas e azuis
(...)
Alguns herdam estrelas reluzentes
Eles mandam você para a guerra
E quando você pergunta a eles:
"Quanto devemos dar?"
Eles apenas respondem:
Mais! Mais! Mais!"




3)“Soul Kitchen” – The Doors

46 min de filme:
Forrest já está em plena floresta do Vietnã com o exército americano, todos em alertas para um possível ataque, ele descreve angustiado uma chuva constante e as intempéries da natureza enfrentada durante os percursos militares na área. A trilha sonora desta cena é “Soul Kitchen” de The Doors, Veja a seguir um trecho da música:

I guess I'd better go Now.
I'd really like to stay here
All night.
The cars crawl past all stuffed with eyes.
Street lights share their hollow glow.
Your brain seems bruised with numb surprise.

Eu acho que é melhor ir embora agora
Eu realmente gostaria de ficar aqui a noite toda
Os carros vão passando lotados de olhares
As luzes da rua deixam seu rastro falso
Seu cérebro parece ter sido esmagado pela surpresa entorpecida.

O último verso deste trecho deixa transparecer bem a situação enfrentada por Forrest, a surpresa com o local, o que logo se tornará comum e banal após ter seu “cérebro entorpecido”, ituação comum vivida entre os jovens militares que lutam na guerras.



4)“California Dreamin” – The Mamas & The Papas

48min de filme:
Forrest Gump escreve uma carta para Jenny, ele está em um acampamento militar em plena floresta por baixo de muita chuva, sua “barraca” é apena um plástico sob uns galhos. Forrest insiste em comunicar Jenny de todos os seus passos e a lhe perguntar sobre os seus... Em vão...

Durante esta cena ouvimos “California Dreamin” de The Mamas & the Papas, um grupo vocal formado em Nova Iorque (EUA) nos anos 60, grupo que foi um sucesso entre o movimento hippie. Estava entre as únicas bandas norte-americanas a conseguir manter o sucesso e a par de poder competir com a Invasão Britânica

Agora, qual a relação desta música com o enredo?
Jenny é da Califórnia, na própria cena do club em que ela canta, ela é anunciada como deste estado. Observe um trecho da musica a seguir, podemos tirar uma conclusão dos pensamentos de Forrest em querer estar com ela:

I'd be safe and warm
If I was in L.A
California Dreaming'
On such a winter's day
(…)
If I didn't tell her
I could leave today
California Dreaming'
On such a winter's day

“Eu estaria protegido e aquecido
Se estivesse em Los Angeles.
Sonhando com a Califórnia,
Num dia assim de inverno.
(...)
Se eu não contasse a ela,
Eu poderia partir hoje.
Sonhando com a Califórnia,
Num dia assim de inverno.”


No Vietnam está frio e chuvoso e Forrest sonhar com Jenny, sonha com o calor da California, e tudo que se passa ao redor ele insiste em relatar para ela.
Ainda durante a música, Jenny aparece com um visual hippie, provavelmente na
Carlifornia.




5)“For What It's Worth” - Buffalo Springfield

49 min de filme:
Forrest caminha sob a chuva e fala:
“Um dia a gente estava andando como sempre e sem mais nem menos alguém desligou a chuva e o sol apareceu!”
Logo após esta fala acontece um ataque por parte dos vietnamitas aos militares americanos. Até este momento Forrest ainda não havia presenciado nenhum ataque ao batalhão.

A trilha sonora desta cena se encaixa perfeitamente, pois sua letra descreve a situação dos soldados em batalha, a música é “For What It's Worth“ da banda norte-americana Buffalo Springfield formada em 1966 , de estilo folk rock. Esta banda serviu de plataforma de lançamento para a carreira de Neil Young. A seguir um trecho de For What It's Worth:

There's something happening here.
What it is ain't exactly clear.
There's a man with a gun over there
A-telling' me I've got to beware.
(…)
There's battle lines bein' drawn.
Nobody's right if everybody's wrong.
Young people speakin' their minds
A-getting' so much resistance from behind

“Alguma coisa esta acontecendo aqui
O que isto é, não esta claro.
Ali tem um homem com uma arma.
Me dizendo que tenho de estar alerta.
(...)
A linha de batalha esta desenhada.
Ninguém esta certo se todos estiverem errados.
Jovens falando em suas mentes.
Eu tenho muita resistência por de traz.”

Estes trechos nos deixa os sentimentos que os jovens militares deveriam sentir em plena guerra, vemos uma juventude interrompida e sem preparação física e mental para o referido fato.




6) The Doors – The Doors e Strange Days (álbuns)
59min de filme:
Durante o ataque descrito anteriormente Bubba morre e os militares feridos são levados para um hospital, devido ao acidente o Tenente Dan Taylor perde suas pernas.
Durante o momento de internação de Forrest no hospital ele descobre uma grande habilidade para jogar ping pong e vira uma atração entre todos.

Toda a trilha sonora durante as cenas no hospital são os trechos iniciais de todas as músicas do disco “The Doors” e a música “People are Strange” do segundo disco “Strange Days”, ambos do grupo musical The Doors, banda de rock norte-americana formada em 1965.



7)“Volunteers” – Jefferson Airplane

60min de filme:
Forrest já havia voltado do Vietnã e recebido uma medalha de honra do governo, após este evento ele decide ir até Washington fazer um passeio. Ele está em frente a um ônibus com uma faixa escrita os seguintes dizeres “Veteranos do Vietnã, contra a guerra do Vietnã”. Forrest é confundido com um dos veteranos de guerra e é levado até um palanque onde há um homem discursando. Gostaria de pedir para quem souber quem é o homem que faz o discurso pudesse me informar, creio que deve ser alguma referência histórica.

A trilha desta cena é “Volunteers” de Jefferson Airplane, banda americana de rock psicodélico formada em São Francisco no ano de 1965, uma pioneira do movimento musical psicodélico. O ponto central abordado nesta cena é a revolução da sociedade indo às ruas contra a guerra, veja o trecho de “Volunteers” abaixo que retrata esta situação:

Look what's happening out in the streets
Got a revolution, got to revolution.

Olhe o que acontece lá fora nas ruas
Tem uma revolução, vamos pra revolução.





8)Get Together - de The Youngbloods

1hr5min de filme:
Forrest é expulso juntamente com Jenny da reunião dos Panteras Negras, após isso eles vão caminhar por Washington, Jenny conta para Forrest sua jornada pelo mundo e como ela “expandiu” sua mente. Esta cena nos remete ao movimento hippie que Jenny estava seguindo todos os preceitos.

A trilha desta cena é “Get Together” de The Youngbloods, uma banda de folk-rock formada em 67 na cidade de Boston (EUA). Esta música foi praticamente seu único sucesso e as outras músicas muitas das vezes foram consideradas um verdadeiro fiasco. Parte da comunidade Hippie adotou esta musica como hino por “abrir fronteiras” para o mundo. Get Together foi regravada até por Jefferson Airplane, o que lhe rendeu bastante sucesso. Veja um trecho a seguir:

Smile on your brother
Everybody get together
Try to love one another right now
Some will come and some will go
And we shall surely pass.

Sorriso para seu irmão
Todo mundo se reúne
Tente amar um ao outro agora
Alguns virão e alguns irão
E nós, certamente passaremos.





9)“Love her Madly” – The Doors

1hrs20min:
Forrest comemora o ano novo com o Tenente Dan em um bar, ele começa a pensar em jenny e como ela deveria estar. Após esta cena aparece Jenny em um quarto com um homem, esta cena nos dá uma certa impressão de que Jenny está se prostituindo, ela arruma suas coisas e vai embora do quarto muito zangada e com o olho roxo. Forrest sempre imagina que Jenny está bem, porém ela não está.

A trilha desta cena é “Love her Madly” do The Doors, esta música retrata muito bem mais uma vez os sentimentos frustrados de Forrest devido ele não ser correspondidos por Jenny. Veja um trecho a seguir:

Don't you love her madly?
Don't you love her face?
Don't you love her as
She's walking' out the door
Like she did one thousand times before.

Você não a ama loucamente?
Você não ama o rosto dela?
Você não a ama enquanto
Ela sai por aquela porta
Como ela já fez mil vezes antes.



10)“I've Got to Use My Imagination” - Gladys Knight

Jenny chega até a casa de Forrest, passa uma temporada com ele e depois vai embora repentinamente, como sempre fez. Após este acontecimento Forrest sente-se totalmente desolado, pois somado ao evento da perda de sua mãe ele agora já não tem mais ninguém... Então ele decide algo: correr... correr...sem qualquer motivo. Ao longo de sua jornada Forrest Gump atrai a atenção de todos por onde passa, e “de quebra” alguns seguidores da sua grande “causa”.

A trilha desta cena é “I've Got to Use My Imagination”, da cantora Americana de soul, Gladys Knight. Ela fez muito sucesso no final da década de 70 e início de 80 com sua banda Gladys Knight & the Pips. Veja a seguir um trecho da canção muito bem escolhida para representar os sentimentos de Forrest:

I've really got to use my imagination
To think of good reasons
To keep on
Got to make the best of a bad situation.

Eu realmente tenho que usar minha imaginação
Para pensar em boas razões
Para continuar
Tenho que fazer o melhor de uma situação ruim.





11)“Against The Wind” - Bob Seger

Quem não lembra das frases clássica de Forrest correndo com uma legião de seguidores atrás, sendo que para ele aquelas pessoas não faziam qualquer sentido para sua vida, nenhuma solução ou ajuda para enfrentar seus problemas: “Minha mãe sempre dizia que devemos pôr o passado para trás antes de continuar, então eu acho que foi por isso que corri tanto!”. Após correr por tanto tempo e intrigando a todos Forrest repentinamente para, vira, olha para todos com uma aparência de cansado e fala: “Estou muito cansado, acho que vou pra casa agora!”.

Creio eu que esta cena seja uma das que mais condizem com a música escolhida para servir como trilha, a música é “Against The Wind” do cantor norte-americano Bob Seger que fez grande sucesso em meados da década de 80, sendo a música “Against The Wind” a canção que consagrou sua carreira.

Vemos na música a retratação de “correr” usado como uma metáfora de ir atrás de tudo, sempre em busca de novos horizontes, porém após algum tempo ter o desejo de voltar às origens, ao que de simples importa. Forrest corre literalmente, e esta sua ação de parar e voltar para casa representa bem esta sensação de voltar, pois já não há mais novos horizontes para ele.

We were running against the wind
We were young and strong
We were running against the wind

And the years rolled slowly past
And I found myself alone
Surrounded by strangers I thought were my friends
I found myself further and further from my home

And I guess I lost my way
There were oh so many roads
I was living to run and running to live
(…)

I began to find myself searching
Searching for shelter again and again
Against the wind. Nós corríamos contra o vento
Éramos jovens e fortes, nós corríamos.
Contra o vento

E os anos passavam-se lentamente
E me vi sozinho
Cercado por estranhos que eu achava que fossem meus amigos
Me encontrei mais e mais longe de casa

E acho que perdi meu caminho
Havia tantas estradas
Eu vivia para correr e corria para viver
(...)

E eu comecei a me ver procurando
Procurando por abrigo novamente e novamente
Contra o vento.




Faça o download das músicas pelo skyDrive:

https://skydrive.live.com/?cid=BA987FD92C10F27B&id=BA987FD92C10F27B%21369

Lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_dos_200_%C3%A1lbuns_definitivos_no_Rock_and_Roll_Hall_of_Fame

Músicas de Forrest Gump que estão nos dois álbus e as que não foram inseridas:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:M%C3%BAsica_de_Forrest_Gump

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"A Paisagem Mental de Alan Moore: Escritor, Xamã" - Comentários

Não entendo muito a respeito do mundo dos quadrinhos, principalmente dos chamados “graphic novels”, já tive a oportunidade de ler alguns e os que me chamaram mais a atenção foram Wathman e V for Vendetta, coincidentemente do mesmo autor: Alan Moore.



Mas o que há de mais nas histórias criadas por ele? Não é qualquer leigo que terá em suas mãos um graphic escrito por Allan Moore e entenderá todo o contexto, ele aborda da forma mais racional e inteligente possível, diversas questões políticas e sociais que aconteceram ao longo da história.

Juntamente com Frank Miller, Neil Gaiman e alguns outros, ele foi um dos grandes responsáveis pela gradual mudança de status das histórias em quadrinhos no final do século 20, passando a conquistar um novo público nada infantil.

Veremos a abordagem de questões como a guerra fria, guerras mundiais, fascismo, nazismo, comunismo, clássicos da literatura universal, arte, etc. Sem contar a diversidade das obras que “decoram” o cenário, por exemplo, em V for Vendetta veremos um busto de Nefertiti decorando uma mesa, um quadro de Picasso na parede ou A Divina Comédia em um armário...

(Observe bem o que há neste cenário)

Como já conhecia algo sobre a obra de Allan Moore, quis saber quem era o intelectual por trás de todo aquele enredo, então tive acesso ao documentário sobre ele chamado: “The Mindscape of Alan Moore: Writer, Shaman (A Paisagem Mental de Alan Moore: Escritor, Xamã)”.


O documentário possui duração de 1h36min, a meu ver ele divide-se em três partes, que são:
1) Infância e o despertar do interesse por quadrinhos;
2) Ascenção como escritor, as obras e suas abordagens;
3) Reflexões sobre a condição humana e intelectualidades.


1) Ao vermos o intelectual Alan Moore não imaginamos a sua infância miserável em Northampton, Inglaterra, vindo de uma família de operários. Para ele o mundo era tudo aquilo que ele enxergava: a miserabilidade da classe operária. Para ele só existia duas estratificações sociais: os operários e a rainha. Esta visão só foi mudar após ingressar em uma escola conservadora, onde ele pode ver que existia outra classe social: a classe média.

Vemos neste início de documentário a retratação de um jovem que tinha uma boa vocação para os estudos, porém a sua condição social não lhe ajudou a manter esta posição, principalmente após ingressar em uma escola conservadora, onde a maioria dos jovens teve mais acesso ao estudo. Ele começa a deixar o estudos para trás, chegando até a ser expulso da escola aos 17 anos,

Moore não tinha qualquer formação profissional, porém foi o período em que ele começou a se aprofundar cada vez mais no mundo dos quadrinhos, até então ele conhecia apenas publicações simples e monocromáticas editadas para crianças operárias que mostrava a realidade em que ele vivia.

Este acesso aos de quadrinhos, até então desconhecidos, trouxe a Alan Moore a oportunidade de conhecer um novo mundo, agora ele lia histórias policromáticas que aconteciam em Nova York, o que segundo ele era um mundo a parte, não havia diferenças entre NY e Marte, ambos eram um universo longe do seu.

“Não é trabalho do artista dar ao público o que o público quer. Se o público soubesse o que quer, ele não seria o público, ele sim seria o artista. O trabalho do artista é dar ao público o que ele necessita.”


2) Esta segunda parte do documentário trata a respeito da ascensão de Allan Moore no mundo dos quadrinhos como escritor a partir do momento em que suas obras passaram a ser amplamente conhecidas pelo público. Este período foi quando ele passou a colaborar para a revista Warrior, agora ele podia trabalhar com toda a sua liberdade intelectual que até então era negada.

A partir de então sua obra passou a chamar cada vez mai à atenção do público que lhe fez receber a oportunidade de trabalhar para a indústria norte-americana de HQs, alcançando a popularidade que nunca havia imaginado.


Vale lembrar que Moore teve algumas de suas obras adaptadas para o cinema como: A Liga Extraordinária, V for Vendetta e Watchmen. Também vale lembrar que ele não gostou nada do que viu... Pela sua enorme decepção com V for Vendetta (realmente detonaram com a HQ) ele se recusa até hoje a assistir Watchmen...

Ele havia conquistado um grande sucesso que não era eu desejo, para ele a fama não significava absolutamente nada, ela era apenas algo criado para ocupar programas sensacionalistas e revista de fofoca. Neste período Alan Moore passa a se auto intitular um “mago” e opta por viver em certa reclusão social.


3) Nesta terceira parte vemos várias opiniões de Moore sobre algumas questões sociais, vemos um escritor vanguardista com a mente fervilhando de ideias incompreendidas pelo grande público, o que muito o faz se tachado como louco.

Entrando novamente na questão do “mago”, o que seria isto? Segundo Moore “Os escritores e as pessoas que controlam as palavras eram tão temidas quanto um mago”, para ele um mago era apenas capaz de transformar você em um monstro, porém o escritor era capaz de escrever uma sátira que destruiria você frente a sua família, amigos, sociedade e se a sátira fosse tão boa, ela ultrapassaria os limites da história e sua vergonha seria lembrada para sempre. Moore é um mago das palavras, ele reconhece sua intelectualidade e pretende mostrar ao público, para ele a arte no geral é uma forma de magia, é uma forma que o artista tem de expor uma ideia e fazer com que o público passe a ocupar um universo ainda não descoberto, como algo místico.


“A substancia que tem maior efeito sobre a nossa cultura e nossas vidas ó podemos ver seus efeitos, esta substância é a informação.”

Vemos ainda nesta terceira parte várias reflexões pessoais a respeito da sociedade e seus avanços intelectuais, sem contar uma abordagem que retrata a questão da ciência ser um fruto da magia (ele usa a pesquisa da física quântica como exemplo).

Moore propõe a existência de um território hipotético existente em nós, humanos, o chamado “espaço-ideia” da mente que deve ser explorado para deixarmos de agir debilmente apena para viver um dia após o outro, após o alcance do ápice da capacidade intelectual. Este território hipotético não é uma questão científica, pelo contrário é uma abordagem proveniente de sistemas místicos como o tarô e a Cabala, sistemas que fornecem um mapa da condição humana.

Creio que quem tiver a oportunidade de ver este documentário irá se surpreender com a intelectualidade deste xamã, assim como se interessará sem dúvidas em conhecer a sua obra.

Creio que assim como eu, você passará a ver o mundo dos quadrinhos de uma forma nunca imaginada. O que você acharia de uma história em HQ que explorasse um universo erótico trazendo personagens da literatura universal no enredo? Em “Lost girls” o autor promove um mergulho nas aventuras eróticas de três das mais populares personagens da literatura infantil: Alice, de “Alice no país das maravilhas”, Wendy, de “Peter Pan”, e Dorothy, de “O mágico de Oz”.


Em “A Liga Extraordinária” podemos ver personagens da literatura criados por Júlio Verne (capitão Nemo), H.G. Wells (Rodney Skinner), Oscar Wilde (Dorian Gray), etc. Todos juntos lutando contra o crime em uma Era Vitoriana.


“Como seres humanos, habitamos dois mundos distintos e separados, habitamos duas paisagens. Habitamos o mundo físico, sendo que ao mesmo tempo nós só podemos experimentar verdadeiramente nossa percepção deste mundo, parece que na verdade, nós mais vivemos em um mundo de pura consciência e ideias, e me surpreendem os territórios que devem existir neste espaço mental que deve ser composto inteiramente de ideias e conceitos em lugar de ilha e continentes, deve haver grandes sistemas de crenças e filosofias.”


Para a alegria de todos, temos o documentário no youtube, segue o link da parte 1:

http://www.youtube.com/watch?v=VD3YAn9Moxs

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O hiperrealismo de Ron Mueck


Mais uma vez venho tratar sobre o hiper-realismo, ultimamente tenho pesquisado bastante sobre esta estética e me deparado com vários artitas incríveis, um deles é Ron Mueck. O hiperrealismo é uma corrente relativamente jovem, surgindo por meados do séc. XX, a partir do fotorrealismo. As obras são extremamente realistas criando a ilusão de uma nova realidade na pintura e na escultura.

Ao visitar uma das exposições de Ron Mueck a sensação deve ser de estar em uma terra de gigante ou de miniaturas, pois suas obras nunca são em proporções humanas. Mueck é um artista Australiano, nascido em Melbourne em 1958, iniciou sua carreira confeccionando marionetes para um programa de Tv, algumas de suas marionetes podem ser vistas no filme Labyrinth – 1986 e em Sesame Street – Vila Sésamo.

(Labyrinth, 1986)


Vale ressaltar que ele tem possui um talento nato pois ele jamais teve acesso a uma formação artística acadêmica, Ron exerce sua profissão como escultor na Inglaterra.
Uma característica marcante em suas obras é a expressão facial dos modelos, sempre há uma fragilidade humana que imprime nas figuras esculpidas e o olhar quase sempre longe e pensativo, distraído e até meio triste.


Quanto ao material utilizado nas obras, no início Ron se valeu do látex devido a textura mais parecida com a do corpo humano, porém após um tempo ele queria um material com um tom mais rosado e semelhante a cor da pele, então descobriu a resina de fibra de vidro que se tornou a principal matéria prima de suas esculturas. Os pelos e cabelos – naturais, são colocados um por um, e dão a impressão de que estão realmente crescendo.


Uma de suas maiores esculturas possui cerca de cinco metros de altura, a escultura Boy 1999 foi exposta na Bienal de Veneza. Em 1999, a National Gallery de Londres, uma das mais famosas e prestigiadas do mundo, condecorou Ron MUeck como Artista Associado devido a qualidade impressionante de sua obras.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Alyssa Monks e o hiperrealismo


Alyssa está na minha pequena, porém notável lista de grandes artistas femininas,com apenas 34 anos ela e destaca pela perfeição de sua arte.

pinturas impressionantes criadas pela artista Alyssa Monks. As pinturas utilizam tinta a óleo sobre tela e produzem um efeito visual que se assemelha a fotografias.

A técnica que a pintora usa para criar suas pinturas deixa de boca aberta pelo fato de ser perfeitamente real, a esta vertente chamamos de hiperrealismo que é um gênero de pintura e escultura que tem um efeito semelhante ao da fotografia de alta resolução;

As texturas da pele usadas em diversos quadros são incríveis. As várias imagens expressam a sensualidade de corpos banhados em água e algumas vezes dando a impressão de afogamento, é impossível não notar a beleza e a realidade da imagem.

Acredite se quiser, MAS ISTO É UMA PINTURA!




Site oficial: http://alyssamonks.com/

Camille Claudeu, arte e exclusão


Camille foi uma criança fora dos padrões e alheia ao que se esperava de uma menina no século 19. Numa época em que as mulheres eram criadas para afazeres domésticos, ela estava sempre suja de barro e descabelada trabalhando em alguma escultura.
Camille chegou a Paris com apenas 17 anos, lá ela conheceu um dos maiores artistas de seu tempo, Auguste Rodin, de quem se tornou assistente musa e amante. Relacionamento que a entregou a decadência e a morte em um leito de hospício... Mas não tratarei aqui sobre fofocas.

Rodin, um dos maiores escultores franceses do séc. XVIII já havia escutado boatos sobre Camille, aluna muito talentosa da Academia Colarossi, uma escola que forma artistas escultores. Rodin visitou o ateliê de Camille e surpreendeu-se com a magnitude e perfeição de suas obras talhadas principalmente em mármore e granito.



Aos 19 anos ela recebeu um convite de Rodin que coincidiu com um momento particularmente importante na sua carreira, ele acabara de receber uma encomenda do governo francês para fazer As Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais, obras de grande porte que precisariam de ajudantes para ser feitas. Camille era uma artesã habilidosa e por isso ficou incumbida de fazer os pés e as mãos das estátuas, oportunidade que a abriu muitas portas.

Porta do Inferno (Musée Rodin)

Pesquisando sobre Camille infelizmente me deparei com um ambiente deplorável, ela quase sempre é posta em segundo plano, normalmente como mera sombra de Rodin, alguns sites chegam a afirmar que Claudel inspirou-se em Rodin, porém na verdade ela já possuía tais características e foi isso que chamou a atenção de Rodin, a proximidade das obras de ambos sem terem conhecimentos um do outro. Ela muita vezes é interpretada como uma louca obcecada tem qualquer talento para as artes.

Em 1998 foi lançado um filme sobre Camille Claudel, é um filme francês do gênero drama biográfico. Ainda não vi então não tenho o que opinar...



Esta é uma da maiores artistas escultoras, porém ainda muito desconhecida e renegada pela sua própria família. Creio que vale muito a pena conhecer a sua biografia e estética. Pesquisando pela internet, achei também muitos trabalhos bons, segue o links de alguns:

1) Camille Claudel: movimento, expressão simbólica e “loucura”
http://www.revista.art.br/site-numero-06/trabalhos/1.htm

2) Uma análise da dor e do dilaceramento nas obras de Camille Claudel, Florbela Espanca e Frida Kahlo.
http://www.ufjf.br/darandina/files/2011/08/Uma-an%C3%A1lise-da-dor-e-do-dilaceramento-nas-obras-de-Camille-Claudel.pdf

3) Camille Claudel: a revulsion of nature the art of madness or the madness of art?
http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v55n3/v55n3a12.pdf