Ao sul da Itália, no sul da África, no mar Mediterrâneo há um arquipélago constituído por 5 ilhas que juntas formam a República de Malta, destas, somente às 3 menores são habitadas, elas são: Malta, Gozo e Comino. Malta está na região central do mediterrâneo e possui uma história milenar pelas convergências (e mistérios) de suas civilizações. Segundo estudos ela é habitada desde cerca de 5200 A. C. e foi uma área importante para uma civilização pré-histórica anterior aos fenícios, os sicilianos. Sugiro que este artigo seja lido para maior compreensão desta região histórico, já que aqui a abordagem não será geográfica, demográfica ou cultural:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Malta
Malta foi uma grande descoberta, devido à complexidade de sua arquitetura, já que ela foi construída em um período muito remoto da história. Suas construções possuem paredes, tetos, muros, rua pavimentadas, etc. Toda a construção é feita a partir de grandes blocos de rochas monolíticas, alguns chegam a pesar mais de 20 toneladas, e até hoje não se sabem como eles poderiam ser transportados da área de extração até o local das construções, este é um mistério que envolve praticamente todas as civilizações antigas que possuíam grande complexidade arquitetônica, um dos maiores exemplos a ser dado é no Egito e os enigmas eternos a respeito das construções dos seus monumentos, em contar que Malta data de um período anterior ao Egípcio em cerca de mil anos. Nesta região podem ser encontrados os primeiros indícios de construções monumentais com engenharia arquitetônica muito desenvolvida para o período, além de muita precisão matemática. Pesquisas indicam que Malta foi construída antes da invenção da roda e das ferramentas de metal.
Uma curiosidade encontrada nas ruas e aos redores de malta são as chamadas “rotas para carros”, todas essas “vias” possuem 1,20m de largura e quilômetros de comprimento, isto evidencia que esta região poderia ter sido um dos primeiros centros industriais deste local e essas rotas serviam para o transporte de maquinaria pesada para a construção da cidade, assim como para o transporto de outros bens para a subsistência da população local. Estudos feitos nessas rotas apontaram que elas possuem cerca de 10 mil anos.
Em 1932 foi descoberto em malta um santuário subterrâneo que datava do período de 2500 A. C. A estas construções chamamos de Hypogeum ou Hipogeu que nada mais é do que um templo funerário subterrâneo característico do período pré-cristão. O hipogeu de Malta possui 3 níveis escavados na rocha, estima-se que foram retirados do local aproximadamente 2500 toneladas de rocha. Esse templo subterrâneo é uma reprodução perfeita dos templos que são encontrados na superfície. Ele foi encontrado durante algumas escavações na região para a construção de residências para a população local.
Entre as curiosidades deste hipogeu, sem dúvida a maior é referente às propriedades acústicas encontradas em seu interior, neste local há uma sala central que é conhecida como “A sala do Oráculo”, qualquer som que seja feito nesta sala é propagado para todos os compartimentos do complexo na mesma intensidade. Segundo teóricos das teorias dos astronautas do passado esta seria uma forma de comunicar-se com os “deuses”, esses deuses seriam os extraterrestres que lhe proporcionaram tal tecnologia avançada para seu tempo. Acreditando ou não na existência de extraterrestres, esta capacidade de dominar a ciência da acústica em um período tão primitivo é sem dúvida muito intrigante, já que segundo a minha “pesquisinha” pela net, a acústica começou a ser estudada por volta do séc. XVII. Para saber mais vejam este link:
http://www.atelierlabussiere.com/acusticalabussiere.htm
Há especialistas que dizem que foi usada a ressonância fratal não-linear. Descobertas recentes no campo das ciências materiais, apontam que a ressonância não-linear de ondas sonoras, micro-ondas e ondas magnéticas, pode alterar a matéria de formas inimagináveis. Em Malta ela seria possível a escavação, levitação, corte e polimento das rochas. Estudos a respeito da ressonância fractal ainda estão em andamento, mas ainda não foi possível atingir tais técnicas que influam profundamente em materiais sólidos alterando suas formas.
Seriam os "astronautas do passado" responsáveis por transmitir tais conhecimentos para povos primitivos? Malta é somente mais um dentre tantos mistérios da humanidade...
domingo, 27 de janeiro de 2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Extinções, meio ambiente e crianças. Como abordar?
Acabei de assistir um doc que estava passando na Cultura, o nome dele era: Extinções.
Bem, este episódio tratou sobre a onça pintada. Biólogos de uma ong foram acompanhados em uma de sua pesquisas com um espécime de onça do cerrado, uma fêmea que esta sendo monitorada para verificar como ela está conseguindo sobreviver em um ambiente com grande impacto, sendo que seu hábitat está sendo cada vez mais ameaçado pela expansão da pecuária e do cultivo de grãos voltado para a alimentação do gado.
Dentre tudo que foi falado, um dos focos foi em cima da caça e da criação ilegal de grandes felinos como animais de estimação, mostraram vídeos de pessoas FDP que criavam esses animais em casa após retirar todos os dentes, todas as garras, espancamento, sem contar alguns que eram criados em gaiola e cresceram deficientes pela má formação óssea.
Esses animais após um resgate pela polícia ambiental, IBAMA e com a ajuda de biólogos e veterinários eram encaminhados para um santuário do cerrado que abrigava grandes felinos oriundos de apreensão. O local nunca disponibilizará o que o animal necessita em sua ecologia, mas oferece o que for possível para lhe garantir a dignidade necessária, alguns dos animais nunca nem haviam pisado em uma grama.
Normalmente em santuários há uma visita extremamente controlada de pessoas para visitação e neste ainda há um trabalho com as crianças que vão visitar com a escola. Os responsáveis mostram para as crianças a situação dos animais, todos de alguma forma com algum problema físico ou psicológico. Eles falam para as crianças que aquela situação é CAUSADA PELO HOMEM ao querer impor sua dominância sobre o meio ambiente, as crianças saem do local chocadas com tudo e com todos, além de impressionadas com o conhecimento obtido.
Devemos esperar cidadãos conscientes e ativos a partir desse choque psicológico na infância??
Sinceramente, espero que sim!
Para quem tiver interesse em assistir, este é o link do vídeo:
Bem, este episódio tratou sobre a onça pintada. Biólogos de uma ong foram acompanhados em uma de sua pesquisas com um espécime de onça do cerrado, uma fêmea que esta sendo monitorada para verificar como ela está conseguindo sobreviver em um ambiente com grande impacto, sendo que seu hábitat está sendo cada vez mais ameaçado pela expansão da pecuária e do cultivo de grãos voltado para a alimentação do gado.
Dentre tudo que foi falado, um dos focos foi em cima da caça e da criação ilegal de grandes felinos como animais de estimação, mostraram vídeos de pessoas FDP que criavam esses animais em casa após retirar todos os dentes, todas as garras, espancamento, sem contar alguns que eram criados em gaiola e cresceram deficientes pela má formação óssea.
Esses animais após um resgate pela polícia ambiental, IBAMA e com a ajuda de biólogos e veterinários eram encaminhados para um santuário do cerrado que abrigava grandes felinos oriundos de apreensão. O local nunca disponibilizará o que o animal necessita em sua ecologia, mas oferece o que for possível para lhe garantir a dignidade necessária, alguns dos animais nunca nem haviam pisado em uma grama.
Normalmente em santuários há uma visita extremamente controlada de pessoas para visitação e neste ainda há um trabalho com as crianças que vão visitar com a escola. Os responsáveis mostram para as crianças a situação dos animais, todos de alguma forma com algum problema físico ou psicológico. Eles falam para as crianças que aquela situação é CAUSADA PELO HOMEM ao querer impor sua dominância sobre o meio ambiente, as crianças saem do local chocadas com tudo e com todos, além de impressionadas com o conhecimento obtido.
Devemos esperar cidadãos conscientes e ativos a partir desse choque psicológico na infância??
Sinceramente, espero que sim!
Bem, este episódio tratou sobre a onça pintada. Biólogos de uma ong foram acompanhados em uma de sua pesquisas com um espécime de onça do cerrado, uma fêmea que esta sendo monitorada para verificar como ela está conseguindo sobreviver em um ambiente com grande impacto, sendo que seu hábitat está sendo cada vez mais ameaçado pela expansão da pecuária e do cultivo de grãos voltado para a alimentação do gado.
Dentre tudo que foi falado, um dos focos foi em cima da caça e da criação ilegal de grandes felinos como animais de estimação, mostraram vídeos de pessoas FDP que criavam esses animais em casa após retirar todos os dentes, todas as garras, espancamento, sem contar alguns que eram criados em gaiola e cresceram deficientes pela má formação óssea.
Esses animais após um resgate pela polícia ambiental, IBAMA e com a ajuda de biólogos e veterinários eram encaminhados para um santuário do cerrado que abrigava grandes felinos oriundos de apreensão. O local nunca disponibilizará o que o animal necessita em sua ecologia, mas oferece o que for possível para lhe garantir a dignidade necessária, alguns dos animais nunca nem haviam pisado em uma grama.
Normalmente em santuários há uma visita extremamente controlada de pessoas para visitação e neste ainda há um trabalho com as crianças que vão visitar com a escola. Os responsáveis mostram para as crianças a situação dos animais, todos de alguma forma com algum problema físico ou psicológico. Eles falam para as crianças que aquela situação é CAUSADA PELO HOMEM ao querer impor sua dominância sobre o meio ambiente, as crianças saem do local chocadas com tudo e com todos, além de impressionadas com o conhecimento obtido.
Devemos esperar cidadãos conscientes e ativos a partir desse choque psicológico na infância??
Sinceramente, espero que sim!
Para quem tiver interesse em assistir, este é o link do vídeo:
Bem, este episódio tratou sobre a onça pintada. Biólogos de uma ong foram acompanhados em uma de sua pesquisas com um espécime de onça do cerrado, uma fêmea que esta sendo monitorada para verificar como ela está conseguindo sobreviver em um ambiente com grande impacto, sendo que seu hábitat está sendo cada vez mais ameaçado pela expansão da pecuária e do cultivo de grãos voltado para a alimentação do gado.
Dentre tudo que foi falado, um dos focos foi em cima da caça e da criação ilegal de grandes felinos como animais de estimação, mostraram vídeos de pessoas FDP que criavam esses animais em casa após retirar todos os dentes, todas as garras, espancamento, sem contar alguns que eram criados em gaiola e cresceram deficientes pela má formação óssea.
Esses animais após um resgate pela polícia ambiental, IBAMA e com a ajuda de biólogos e veterinários eram encaminhados para um santuário do cerrado que abrigava grandes felinos oriundos de apreensão. O local nunca disponibilizará o que o animal necessita em sua ecologia, mas oferece o que for possível para lhe garantir a dignidade necessária, alguns dos animais nunca nem haviam pisado em uma grama.
Normalmente em santuários há uma visita extremamente controlada de pessoas para visitação e neste ainda há um trabalho com as crianças que vão visitar com a escola. Os responsáveis mostram para as crianças a situação dos animais, todos de alguma forma com algum problema físico ou psicológico. Eles falam para as crianças que aquela situação é CAUSADA PELO HOMEM ao querer impor sua dominância sobre o meio ambiente, as crianças saem do local chocadas com tudo e com todos, além de impressionadas com o conhecimento obtido.
Devemos esperar cidadãos conscientes e ativos a partir desse choque psicológico na infância??
Sinceramente, espero que sim!
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
O Elogio da Loucura (Parte 2)
PARTE 1 - http://www.propost.com.br/post/detalhe/2012113034-o-elogio-da-loucura--erasmo-de-rotterdam
Para a leitura desta , segunda parte do texto, onde continuo em uma análise e apresentação de O Elogio da Loucura, que foi considerada a obra máxima de Eramo de Rotterdam, aconselho que seja feita a leitura da parte 1 do texto onde há uma apresentação sobre a vida e obra de Erasmo, com um foco maior na obra em que vos apresento, assim como o início dos pensamentos da Loucura em relação a i mesma e ao mundo.
Ainda apresentarei a terceira parte do texto para que a leitura não se prolongue muito e se torne muito cansativa para você, meu caro leitor.
Continuando....
O ELOGIO DA LOUCURA (PARTE 2)
Que criatura no mundo pode ser mais louca que a mulheres? Eu mesma, que vos escrevo este texto sou uma, e a própria Loucura é mulher. Por que nos autodenominar loucas? Assim como já escrevi anteriormente: que mulher se entregaria ao matrimônio e a maternidade sem antes refletir sobre tudo, aguentar indiferenças constantes e as dores do parto, a infância e a juventude rebelde dos filhos ou a perda de sua liberdade? Não vou generalizar, pois nem todas as relações são deprimentes, mas nós, mulheres, bem sabemos tirar proveito de todas as bênçãos da Loucura. A mulher vive em um reino de fantasias, ludibriada coloca seus sonhos em um casamento... Um vestido branco... Um buquê... A utópica vida a dois... A mulher é fortemente ligada à simbologia da pureza. No fim, nós mulheres do séc. XXI, ainda muito nos comparamos com as tais Mulheres de Athena de Chico Buarque que “Vivem para os seus maridos”.
“As mulheres poderiam se irritar comigo por lhes atribuir a Loucura, comigo que sou mulher também e a própria Loucura? Certamente que não. Observando bem, é esse dom da loucura que lhes permitem serem, sob muitos aspectos, mais felizes que os homens.” (XVII – A Loucura Torna as Mulheres Amáveis).
Segundo a Loucura “Para viver como homem é preciso abster-se de sabedoria”, e como exemplo ela cita Sócrates que foi condenado a beber cicuta, devido ter sido culpado de tanta sabedoria que afrontou os princípios de sua sociedade, perdeu-se em estudos e esqueceu o mundo ao seu redor. No capítulo XXIV a Loucura faz uma crítica há um governo tecnocrata, ela cita e critica a máxima de Platão:
“Felizes das repúblicas cujos filósofos fossem governantes ou cujos governantes fossem filósofos”.
A intolerância desta Deusa é devido ela ser deixada de fora durante um governo com tal princípio político, pois somente haveria espaço para racionalidades e filosofia, já que os filósofos são seus maiores inimigos. Veja o trecho de suas críticas:
“...O pior governo sempre foi aquele de alguém versado em filosofia ou em literatura. A exemplo dos dois Catão, a meu ver, é inclusivo; um colocou praticamente a República de ponta cabeça por suas extravagantes denúncias. O outro ao defender com excessiva sabedoria e liberdade do povo romano, acabou por compromete-lo definitivamente.” (XXIV – A inferioridade da Sabedoria do governo).
Em um governo sábio não haverá espaço para a política de pão e circo, e se não há circo não há entretenimento, e se não há entretenimento... Não haverá Loucura. Mais uma vês a Loucura critica a Sabedoria, maldita figura intrometida em seus afazeres cotidianos, esta semideusa sempre buscando mostrar a realidade ao humanos e a eles propor sofrimentos e angústias.
A sabedoria mostra ao homem a realidade e frente a ela ele não mais consegue retornar ao seu ponto inicial, é como a caverna de Platão, ele muito busca desprender-se do meio comum, mas ao conhecer além, ele não sabe o que fazer, então o que lhe resta e vagar pelo mundo lamentando sua sorte que outrora foi seu maior desejo como o misantropo Timon do deserto.
“Convidai um sábio a um banquete e vereis que se tornará um estraga prazeres por seu melancólico silêncio ou por suas importunas dissertações. Convidai a um baile e haverá de dançar como um camelo que corcoveia. Levai a um espetáculo e bastará seu aspecto para silenciar o povo que diverte, obrigando os organizadores a retirá-lo, como ocorreu com Catão que não conseguiu se desfazer de seu ar carrancudo” (XXV- A Inferioridade da Sabedoria na Vida do Homem).
Então não seria a Loucura o principal meio de alcançar a verdadeira sabedoria? Na verdade nós, humanos, não sabemos qual é a sabedoria que precisamos, se é aquela de intelectuais contida de manuscritos remotos até era da digitalização ou a sabedoria proveniente no conhecimento do mundo como um ser humano dotado de liberdade e curiosidade. Nossas obrigações nós impõem inevitavelmente a hesitação para toda e qualquer ação por medo de errar em algum ponto e é este medo que ao mostrar o perigo, nos impede da ação.
Somente a loucura pode nos privar de tal pensamento negativo, e, somente com ela poderemos alcançar a verdadeira felicidade e/ou a vida que buscamos, a partir de tentativas impulsivas conhecemos a realidade do mundo ao redor. O louco é guiado pelas paixões e o sábio pelas razões, as paixões nos ferem, mas são elas que nos movem para inúmeros aprendizados, nossa paixão refletida no amor, na família, na profissão, etc. Basta analisar que se somente seguirmos a razão mais em frente veremos que nossa vida foi baseada em um ideal falso, apenas para fazer parte do todo.
“De tanto perseguir os animais selvagens e de alimentar-se de suas carnes, os caçadores acabam se assemelhando a eles. Não obstante, acreditam levar uma vida de reis.” (XXXIX – Várias Forma de Loucura) “O sábio se refugia nos livros antigos e nele só aprende frias abstrações. O louco, ao enfrentar a realidade e os perigos, adquire a meu ver, o bom senso.” (XXIX – A Verdadeira sabedoria é a Loucura).
Como já disse na primeira parte deste texto, Erasmo foi conhecido pela grande crítica que fez ao clero e a burguesia, por mais que ele fosse um teólogo amplamente respeitado e desejado pelo Vaticano. Quem ler este livro sem antes ler sobre Erasmo, provavelmente vai achar que foi escrito por um rebelde agnóstico ou ateu, pois suas críticas à religião são espontâneas e claras perante a realidade da época, que com o passar do tempo tornou-se atemporal.
Para mim as abordagens que analisam o fanatismo religioso são sem dúvida os mais interessantes devido ao satírico que ele emprega em sua escrita. Veja este trecho onde ele critica a rezas e as indulgencias:
“O que dizer daquele que alimenta de fórmulas mágicas e de orações inventadas por um piedoso impostor, vaidoso ou ávido, por meio das quais se promete riquezas, honras, prazeres, abundância, saúde sempre sólida, viçosa velhice e, para encerrar, uma cadeira no paraíso, junto ao lado de Cristo! (...) Quem é mais feliz do que aqueles que recitam todos os dias os sete versículos dos Salmos pensando desse modo alcançar a felicidade dos eleitos? Ora, esses versículos mágicos teriam sidos revelados por um demônio, por brincadeira a São Bernardo.” (XL – Os Supersticiosos).
Para a leitura desta , segunda parte do texto, onde continuo em uma análise e apresentação de O Elogio da Loucura, que foi considerada a obra máxima de Eramo de Rotterdam, aconselho que seja feita a leitura da parte 1 do texto onde há uma apresentação sobre a vida e obra de Erasmo, com um foco maior na obra em que vos apresento, assim como o início dos pensamentos da Loucura em relação a i mesma e ao mundo.
Ainda apresentarei a terceira parte do texto para que a leitura não se prolongue muito e se torne muito cansativa para você, meu caro leitor.
Continuando....
O ELOGIO DA LOUCURA (PARTE 2)
Que criatura no mundo pode ser mais louca que a mulheres? Eu mesma, que vos escrevo este texto sou uma, e a própria Loucura é mulher. Por que nos autodenominar loucas? Assim como já escrevi anteriormente: que mulher se entregaria ao matrimônio e a maternidade sem antes refletir sobre tudo, aguentar indiferenças constantes e as dores do parto, a infância e a juventude rebelde dos filhos ou a perda de sua liberdade? Não vou generalizar, pois nem todas as relações são deprimentes, mas nós, mulheres, bem sabemos tirar proveito de todas as bênçãos da Loucura. A mulher vive em um reino de fantasias, ludibriada coloca seus sonhos em um casamento... Um vestido branco... Um buquê... A utópica vida a dois... A mulher é fortemente ligada à simbologia da pureza. No fim, nós mulheres do séc. XXI, ainda muito nos comparamos com as tais Mulheres de Athena de Chico Buarque que “Vivem para os seus maridos”.
“As mulheres poderiam se irritar comigo por lhes atribuir a Loucura, comigo que sou mulher também e a própria Loucura? Certamente que não. Observando bem, é esse dom da loucura que lhes permitem serem, sob muitos aspectos, mais felizes que os homens.” (XVII – A Loucura Torna as Mulheres Amáveis).
Segundo a Loucura “Para viver como homem é preciso abster-se de sabedoria”, e como exemplo ela cita Sócrates que foi condenado a beber cicuta, devido ter sido culpado de tanta sabedoria que afrontou os princípios de sua sociedade, perdeu-se em estudos e esqueceu o mundo ao seu redor. No capítulo XXIV a Loucura faz uma crítica há um governo tecnocrata, ela cita e critica a máxima de Platão:
“Felizes das repúblicas cujos filósofos fossem governantes ou cujos governantes fossem filósofos”.
A intolerância desta Deusa é devido ela ser deixada de fora durante um governo com tal princípio político, pois somente haveria espaço para racionalidades e filosofia, já que os filósofos são seus maiores inimigos. Veja o trecho de suas críticas:
“...O pior governo sempre foi aquele de alguém versado em filosofia ou em literatura. A exemplo dos dois Catão, a meu ver, é inclusivo; um colocou praticamente a República de ponta cabeça por suas extravagantes denúncias. O outro ao defender com excessiva sabedoria e liberdade do povo romano, acabou por compromete-lo definitivamente.” (XXIV – A inferioridade da Sabedoria do governo).
Em um governo sábio não haverá espaço para a política de pão e circo, e se não há circo não há entretenimento, e se não há entretenimento... Não haverá Loucura. Mais uma vês a Loucura critica a Sabedoria, maldita figura intrometida em seus afazeres cotidianos, esta semideusa sempre buscando mostrar a realidade ao humanos e a eles propor sofrimentos e angústias.
A sabedoria mostra ao homem a realidade e frente a ela ele não mais consegue retornar ao seu ponto inicial, é como a caverna de Platão, ele muito busca desprender-se do meio comum, mas ao conhecer além, ele não sabe o que fazer, então o que lhe resta e vagar pelo mundo lamentando sua sorte que outrora foi seu maior desejo como o misantropo Timon do deserto.
“Convidai um sábio a um banquete e vereis que se tornará um estraga prazeres por seu melancólico silêncio ou por suas importunas dissertações. Convidai a um baile e haverá de dançar como um camelo que corcoveia. Levai a um espetáculo e bastará seu aspecto para silenciar o povo que diverte, obrigando os organizadores a retirá-lo, como ocorreu com Catão que não conseguiu se desfazer de seu ar carrancudo” (XXV- A Inferioridade da Sabedoria na Vida do Homem).
Então não seria a Loucura o principal meio de alcançar a verdadeira sabedoria? Na verdade nós, humanos, não sabemos qual é a sabedoria que precisamos, se é aquela de intelectuais contida de manuscritos remotos até era da digitalização ou a sabedoria proveniente no conhecimento do mundo como um ser humano dotado de liberdade e curiosidade. Nossas obrigações nós impõem inevitavelmente a hesitação para toda e qualquer ação por medo de errar em algum ponto e é este medo que ao mostrar o perigo, nos impede da ação.
Somente a loucura pode nos privar de tal pensamento negativo, e, somente com ela poderemos alcançar a verdadeira felicidade e/ou a vida que buscamos, a partir de tentativas impulsivas conhecemos a realidade do mundo ao redor. O louco é guiado pelas paixões e o sábio pelas razões, as paixões nos ferem, mas são elas que nos movem para inúmeros aprendizados, nossa paixão refletida no amor, na família, na profissão, etc. Basta analisar que se somente seguirmos a razão mais em frente veremos que nossa vida foi baseada em um ideal falso, apenas para fazer parte do todo.
“De tanto perseguir os animais selvagens e de alimentar-se de suas carnes, os caçadores acabam se assemelhando a eles. Não obstante, acreditam levar uma vida de reis.” (XXXIX – Várias Forma de Loucura) “O sábio se refugia nos livros antigos e nele só aprende frias abstrações. O louco, ao enfrentar a realidade e os perigos, adquire a meu ver, o bom senso.” (XXIX – A Verdadeira sabedoria é a Loucura).
Como já disse na primeira parte deste texto, Erasmo foi conhecido pela grande crítica que fez ao clero e a burguesia, por mais que ele fosse um teólogo amplamente respeitado e desejado pelo Vaticano. Quem ler este livro sem antes ler sobre Erasmo, provavelmente vai achar que foi escrito por um rebelde agnóstico ou ateu, pois suas críticas à religião são espontâneas e claras perante a realidade da época, que com o passar do tempo tornou-se atemporal.
Para mim as abordagens que analisam o fanatismo religioso são sem dúvida os mais interessantes devido ao satírico que ele emprega em sua escrita. Veja este trecho onde ele critica a rezas e as indulgencias:
“O que dizer daquele que alimenta de fórmulas mágicas e de orações inventadas por um piedoso impostor, vaidoso ou ávido, por meio das quais se promete riquezas, honras, prazeres, abundância, saúde sempre sólida, viçosa velhice e, para encerrar, uma cadeira no paraíso, junto ao lado de Cristo! (...) Quem é mais feliz do que aqueles que recitam todos os dias os sete versículos dos Salmos pensando desse modo alcançar a felicidade dos eleitos? Ora, esses versículos mágicos teriam sidos revelados por um demônio, por brincadeira a São Bernardo.” (XL – Os Supersticiosos).
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Hu Jundi - Pintura Chinesa
Se fosse possível, gostaria que você pudesse entrar no mesmo transe que eu, se possível, ao ouvir a canção The Chairman's Waltz e Becoming a Geisha de John Williams ambas que faz parte da trilha sonora de Memoirs of a Geisha (as geishas são do Japão, mas tudo bem...).
The Chairman's Waltz:
http://www.youtube.com/watch?v=yT1-Uo5eUJk
Becoming a Geisha (ao vivo, John Williams no piano tocando junto com o violoncelista Yo Yo):
http://www.youtube.com/watch?v=sY5nw37xYIw
Este texto não está nem aos pés do que pretendia deixar-vos, ele é de certa forma apenas um rascunho informativo para mais tarde eu e você, caro leitor, realizar buscas para mais informações a respeito deste artista.
Durante meus devaneios solitários na busca eterna pela arte e por artistas novos, me deparei com um pintor chinês fabuloso, ele chama-se Hu JunDi, ainda estou procurando mais informações a respeito dele, já que pelo fascínio que tive da obra, não consegui me contentar com o pouco que achei pela internet. Contando um pouco de seu histórico, Hu JunDi nasceu no ano 1962 em Leshan na Província de Sishuan, China. No ano de 1984 formou-se em Sichuan Fine Art Institute.
Hu JunDi pinta normalmente figuras femininas orientais com uma beleza e leveza inconfundível (sou suspeita para falar, pois para mim as mulheres orientais são as mais belas), ele não usa modelos para pintar, e segundo o que achei, ele pinta as mulheres com um ar elegante de Sichuan, muitas das vezes com trajes tradicionais.
(Meu preferido...)
Ele extrai essas imagens de sua mente, por isto muito se assemelham a sonhos, podemos ver algo surreal...expressionista e impressionista (principalmente, basta você lembrar das obras de Monet). Suas pinturas são todas feitas á óleo, no entanto ele possui uma técnica de brilho devido às pinceladas que garantem uma profundidade além do normal. Suas pinturas possuem às cores da região de Sichuan (China), aqui voz deixo uma imagem da paisagem desta região.
(Província de Sichuan - vale lembrar que em 2009 esta região foi assolada por um grave terremoto)
Este é o site do Hallmark Fine Art Gallery (San Diego – California), aqui você pode encontrar algumas informações extras sobre Sichuan, assim como alguma de suas obras que estão expostas.
http://www.hallmarkgallery.com/gal/collection/Hu-Jundi-Original-img-src-http-www-hallmarkgallery-com...
Se eu soubesse ler chinês teria encontrado bem mais informações, mas...
The Chairman's Waltz:
http://www.youtube.com/watch?v=yT1-Uo5eUJk
Becoming a Geisha (ao vivo, John Williams no piano tocando junto com o violoncelista Yo Yo):
http://www.youtube.com/watch?v=sY5nw37xYIw
Este texto não está nem aos pés do que pretendia deixar-vos, ele é de certa forma apenas um rascunho informativo para mais tarde eu e você, caro leitor, realizar buscas para mais informações a respeito deste artista.
Durante meus devaneios solitários na busca eterna pela arte e por artistas novos, me deparei com um pintor chinês fabuloso, ele chama-se Hu JunDi, ainda estou procurando mais informações a respeito dele, já que pelo fascínio que tive da obra, não consegui me contentar com o pouco que achei pela internet. Contando um pouco de seu histórico, Hu JunDi nasceu no ano 1962 em Leshan na Província de Sishuan, China. No ano de 1984 formou-se em Sichuan Fine Art Institute.
Hu JunDi pinta normalmente figuras femininas orientais com uma beleza e leveza inconfundível (sou suspeita para falar, pois para mim as mulheres orientais são as mais belas), ele não usa modelos para pintar, e segundo o que achei, ele pinta as mulheres com um ar elegante de Sichuan, muitas das vezes com trajes tradicionais.
(Meu preferido...)
Ele extrai essas imagens de sua mente, por isto muito se assemelham a sonhos, podemos ver algo surreal...expressionista e impressionista (principalmente, basta você lembrar das obras de Monet). Suas pinturas são todas feitas á óleo, no entanto ele possui uma técnica de brilho devido às pinceladas que garantem uma profundidade além do normal. Suas pinturas possuem às cores da região de Sichuan (China), aqui voz deixo uma imagem da paisagem desta região.
(Província de Sichuan - vale lembrar que em 2009 esta região foi assolada por um grave terremoto)
Este é o site do Hallmark Fine Art Gallery (San Diego – California), aqui você pode encontrar algumas informações extras sobre Sichuan, assim como alguma de suas obras que estão expostas.
http://www.hallmarkgallery.com/gal/collection/Hu-Jundi-Original-img-src-http-www-hallmarkgallery-com...
Se eu soubesse ler chinês teria encontrado bem mais informações, mas...
domingo, 30 de dezembro de 2012
O Elogio da Loucura - Erasmo de Rotterdam (Parte 1)
Uma indicação de leitura para abrir a mente...
O Elogio da Loucura é um livro de Erasmo de Rotterdam, um humanista e teólogo que viveu durante a idade média, este livro é um ensaio escrito em 1509 e publicado em 1511. Erasmo nasceu em 1465 na cidade de Rotterdam, Holanda. Foi um intelectual que viveu em um convento onde se entregou aos vários clássicos da literatura greco-latina e ao mais diversos autores da Idade Média, sua época. Ordenado padre, teve contato com padres, bispos, papas, reis, cardeais, etc. Foi amigo de Thomas Morus, amigo a quem ele dedicou o prefácio de O Elogio da Loucura.
“Foi pelo fato de ter pensado, no início, em teu próprio sobrenome Morus, tão próximo ao da Loucura (Moria), quanto realmente longe dela estás e, certamente, é seu maior adversário, segundo o conceito que em geral dela se tem.” (carta a Thomas Morus)
Erasmo era cristão, porém com uma visão além de seu tempo para ver as falhas que existiam no fanatismo religioso e na opressão causada pela igreja católica, não esqueçam que ele era teólogo, e dos bons. Ele foi um dos responsáveis pelos pensamentos críticos da sociedade da época que foi base da Reforma Protestante. Agora vamos ao livro... Erasmo de Rotterdam não faz uma crítica apenas à religião fanática, mas também a muitos comportamentos e pensamentos da sociedade, não apena da sociedade da época, mas de um modo completamente atemporal, já que o maus costumes humanos não são perdidos.
O Elogio da Loucura
Segundo o Aurélio, a loucura é definida como um estado ou condição de louco, de insanidade mental. Buscando na internet achei esta definição: “A loucura ou insânia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psiquiatria clínica.”
O Elogio da Loucura é uma total sátira a sociedade dos séc. XV e XVI, onde ele tinha por objetivo fornecer uma nova visão eclesiástica e renovar a igreja, pois tentou mostrar a sociedade um espelho de si mesma. Seu escrito acabou tornando-se atemporal, pois se você ler O Elogio da Loucura hoje, ainda verá uma sociedade vivendo com os mesmos males e problema em comum, a hipocrisia e a perda dos valores da vida ainda são constantes. A loucura, como a definição gramatical, é a insanidade mental, porém ele não define esse termo ao pé da letra, como uma condição humana que podemos adquirir, ele trata a loucura de uma forma externa ao homem, e o homem só será louco se desejar ser.
Em seu livro ele criou a "Deusa da Loucura", um divindade que metaforicamente é responsável por todos esses maus comportamentos humanos, ela se auto elogia de ser a única forma de fazer o homem sentir-se bem perante seus atos que afrontariam e afrontam as demais divindades, como a luxuria, o fanatismo, etc. A Loucura é filha de Plutão, ela conta sua origens neste trecho:
“Nasci de Plutão(...). Meu pai foi um Plutão ainda robusto, cheio do calor da juventude, e não somente por sua juventude, mas também, sem dúvida, pelo néctar que acabara de sorver avidamente ao goles no banquete dos deuses” (VII – A Origem da Loucura).
A Deusa da Loucura dá ao homem tudo o que ele quer e pode fazer, ela afronta o outros deuses que disponibilizam apenas "alguns favores" a humanidade. Por exemplo, seguindo os preceitos cristão o homem deve ser bom e evitar ao máximo ser corrompido com os devaneios da vida, a loucura entra nesse ponto, ela é a desordem e protege o homem por ter cometido tais atos, a Loucura exerce um poder que não é tirânico nem ditador, a Loucura é a própria alegria...o próprio delírio onde o homem eternamente encontrará o seu conforto. Neste post vou deixar alguns trechos e alguns comentários das partes que mais me chamaram a atenção durante esta leitura.
“Não ponho a máscara como aqueles que pretendem representar um papel de sábios e andam desfilando como macacos vestidos de púrpura e como asnos com peles de leão. Que se vistam com disfarces quando quiserem que suas orelhas sobressalientes sempre revelarão um Midas oculto.” (Capítulo V – A Sinceridade da Loucura)
O interessante da abordagem feita referente a Loucura é de que ela é a verdadeira Verdade, não há por que negar seus atos e sua verdadeira função perante à vida, os homens consideram a Loucura uma total insanidade para fugir de sua responsabilidades, é por este motivo que ela se auto elogia, pois o homem não a considera, por mais que esteja precisando dela durante cada segundo de sua vida. Este sentimento raiva da Loucura perante a atitude humana é mostrada neste trecho:
“Não posso deixar de registrar meu espanto pela ingratidão dos homens, ou por suas indiferenças. Todos há séculos gozam de minhas benesses, mas nunca houve um só homem que testemunhasse seu reconhecimento e elogiasse a Loucura.” (Cap. III – A Loucura se Auto- Elogia) .
Segundo a própria Loucura, ela é responsável pela perpetuação da espécie humana, pois as pessoas agem sem razão perante seus atos, que para nós são realizados com ávida consciência de que aquilo é o certo e melhor para si e para os outros. Esse foi um dos trechos mais satíricos que pude conferir no livro, interessante ver que ela trata a Irreflexão também como uma divindade e sendo sua serva:
“(...) Qual mulher haveria de procurar um homem, se refletisse melhor sobre os perigos inerentes ao fato de colocar um filho no mundo e criá-lo? Como vós deveis a vida ao casamento, deveis o casamento à minha serva, a Irreflexão.” (Cap. XI – A Loucura Perpetua a Espécie Humana).
É muito comum fazermos uma relação entre velhice e sabedoria, mas por que fazemos isso? Desde que criança vemos os grandes sábios da história em uma imagem típica, onde estão debruçados em livros ou em pensamentos vagam pelo mundo, são idosos que cultivam cabelos e barbas brancas como nuvens. Ao tratar deste assunto todo teremos algum intelectual em mente que colaboraram para mudar os pensamentos da humanidade ao longo dos séculos, como: Platão, Aristóteles, Galileu, Darwin, Nietzsche, Arquimedes, Da Vinci, Michellangelo, a assembleia dos anciões da Grécia Antiga, etc. Além desta imagem de velhice associada a sabedoria, ainda nos vem em mente uma reclusão social e dificuldade de relacionamento em que intelectuais se encontram. Segundo a Loucura, esses homens não a veneram, vivem totalmente a parte de seus benefícios e é por este motivo que a Loucura os critica, mais adiante no livro ela ainda trata a respeito das fraquezas que poderiam existir em um governo tecnocrata.
“Não observais por acaso, a pessoa melancólicas, mergulhadas na filosofia e nas dificuldades de suas ocupações, quase toda envelhecidas sem antes gozar de sua juventude.” (XIV – A Loucura Prolonga a Vida).
O Elogio da Loucura é um livro de Erasmo de Rotterdam, um humanista e teólogo que viveu durante a idade média, este livro é um ensaio escrito em 1509 e publicado em 1511. Erasmo nasceu em 1465 na cidade de Rotterdam, Holanda. Foi um intelectual que viveu em um convento onde se entregou aos vários clássicos da literatura greco-latina e ao mais diversos autores da Idade Média, sua época. Ordenado padre, teve contato com padres, bispos, papas, reis, cardeais, etc. Foi amigo de Thomas Morus, amigo a quem ele dedicou o prefácio de O Elogio da Loucura.
“Foi pelo fato de ter pensado, no início, em teu próprio sobrenome Morus, tão próximo ao da Loucura (Moria), quanto realmente longe dela estás e, certamente, é seu maior adversário, segundo o conceito que em geral dela se tem.” (carta a Thomas Morus)
Erasmo era cristão, porém com uma visão além de seu tempo para ver as falhas que existiam no fanatismo religioso e na opressão causada pela igreja católica, não esqueçam que ele era teólogo, e dos bons. Ele foi um dos responsáveis pelos pensamentos críticos da sociedade da época que foi base da Reforma Protestante. Agora vamos ao livro... Erasmo de Rotterdam não faz uma crítica apenas à religião fanática, mas também a muitos comportamentos e pensamentos da sociedade, não apena da sociedade da época, mas de um modo completamente atemporal, já que o maus costumes humanos não são perdidos.
O Elogio da Loucura
Segundo o Aurélio, a loucura é definida como um estado ou condição de louco, de insanidade mental. Buscando na internet achei esta definição: “A loucura ou insânia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psiquiatria clínica.”
O Elogio da Loucura é uma total sátira a sociedade dos séc. XV e XVI, onde ele tinha por objetivo fornecer uma nova visão eclesiástica e renovar a igreja, pois tentou mostrar a sociedade um espelho de si mesma. Seu escrito acabou tornando-se atemporal, pois se você ler O Elogio da Loucura hoje, ainda verá uma sociedade vivendo com os mesmos males e problema em comum, a hipocrisia e a perda dos valores da vida ainda são constantes. A loucura, como a definição gramatical, é a insanidade mental, porém ele não define esse termo ao pé da letra, como uma condição humana que podemos adquirir, ele trata a loucura de uma forma externa ao homem, e o homem só será louco se desejar ser.
Em seu livro ele criou a "Deusa da Loucura", um divindade que metaforicamente é responsável por todos esses maus comportamentos humanos, ela se auto elogia de ser a única forma de fazer o homem sentir-se bem perante seus atos que afrontariam e afrontam as demais divindades, como a luxuria, o fanatismo, etc. A Loucura é filha de Plutão, ela conta sua origens neste trecho:
“Nasci de Plutão(...). Meu pai foi um Plutão ainda robusto, cheio do calor da juventude, e não somente por sua juventude, mas também, sem dúvida, pelo néctar que acabara de sorver avidamente ao goles no banquete dos deuses” (VII – A Origem da Loucura).
A Deusa da Loucura dá ao homem tudo o que ele quer e pode fazer, ela afronta o outros deuses que disponibilizam apenas "alguns favores" a humanidade. Por exemplo, seguindo os preceitos cristão o homem deve ser bom e evitar ao máximo ser corrompido com os devaneios da vida, a loucura entra nesse ponto, ela é a desordem e protege o homem por ter cometido tais atos, a Loucura exerce um poder que não é tirânico nem ditador, a Loucura é a própria alegria...o próprio delírio onde o homem eternamente encontrará o seu conforto. Neste post vou deixar alguns trechos e alguns comentários das partes que mais me chamaram a atenção durante esta leitura.
“Não ponho a máscara como aqueles que pretendem representar um papel de sábios e andam desfilando como macacos vestidos de púrpura e como asnos com peles de leão. Que se vistam com disfarces quando quiserem que suas orelhas sobressalientes sempre revelarão um Midas oculto.” (Capítulo V – A Sinceridade da Loucura)
O interessante da abordagem feita referente a Loucura é de que ela é a verdadeira Verdade, não há por que negar seus atos e sua verdadeira função perante à vida, os homens consideram a Loucura uma total insanidade para fugir de sua responsabilidades, é por este motivo que ela se auto elogia, pois o homem não a considera, por mais que esteja precisando dela durante cada segundo de sua vida. Este sentimento raiva da Loucura perante a atitude humana é mostrada neste trecho:
“Não posso deixar de registrar meu espanto pela ingratidão dos homens, ou por suas indiferenças. Todos há séculos gozam de minhas benesses, mas nunca houve um só homem que testemunhasse seu reconhecimento e elogiasse a Loucura.” (Cap. III – A Loucura se Auto- Elogia) .
Segundo a própria Loucura, ela é responsável pela perpetuação da espécie humana, pois as pessoas agem sem razão perante seus atos, que para nós são realizados com ávida consciência de que aquilo é o certo e melhor para si e para os outros. Esse foi um dos trechos mais satíricos que pude conferir no livro, interessante ver que ela trata a Irreflexão também como uma divindade e sendo sua serva:
“(...) Qual mulher haveria de procurar um homem, se refletisse melhor sobre os perigos inerentes ao fato de colocar um filho no mundo e criá-lo? Como vós deveis a vida ao casamento, deveis o casamento à minha serva, a Irreflexão.” (Cap. XI – A Loucura Perpetua a Espécie Humana).
É muito comum fazermos uma relação entre velhice e sabedoria, mas por que fazemos isso? Desde que criança vemos os grandes sábios da história em uma imagem típica, onde estão debruçados em livros ou em pensamentos vagam pelo mundo, são idosos que cultivam cabelos e barbas brancas como nuvens. Ao tratar deste assunto todo teremos algum intelectual em mente que colaboraram para mudar os pensamentos da humanidade ao longo dos séculos, como: Platão, Aristóteles, Galileu, Darwin, Nietzsche, Arquimedes, Da Vinci, Michellangelo, a assembleia dos anciões da Grécia Antiga, etc. Além desta imagem de velhice associada a sabedoria, ainda nos vem em mente uma reclusão social e dificuldade de relacionamento em que intelectuais se encontram. Segundo a Loucura, esses homens não a veneram, vivem totalmente a parte de seus benefícios e é por este motivo que a Loucura os critica, mais adiante no livro ela ainda trata a respeito das fraquezas que poderiam existir em um governo tecnocrata.
“Não observais por acaso, a pessoa melancólicas, mergulhadas na filosofia e nas dificuldades de suas ocupações, quase toda envelhecidas sem antes gozar de sua juventude.” (XIV – A Loucura Prolonga a Vida).
sábado, 29 de dezembro de 2012
Poema - Braços de Shiva (Bruno Leal)
Todos nós conhecemos pessoas que escrevem, seja uma crônica...uma literatura de cordel, uma poesia..enfim. Mas poucos de quem conhecemos e já tivemos a oportunidade de ver a obra pode se tornar relevante para nós. Aqui falei de um modo geral, em meu círculo de amizade tenho amigos que escrevem, seja sobre astrofísica ou seja sobre amor, mas um amigo meu chamado Bruno Leal é o destaque de minha admiração.
Primeiro que o Bruno escreve poesia em forma de poemas, e todos que me conhecem sabem meu apreço por poemas, venho acompanhando seus poemas na sua conta do PROPOST e são fascinantes. Bruno é só um carinha introspectivo, engraçado, que gosta de música escandinava, magrelo, branco, de óculo que passou em 1º lugar na minha turma. Este é o link do perfil de Bruno no PROPOST:
http://www.propost.com.br/autor/joeltoad
Seu último poema publicado, vejam a qualidade da obra, bela e interessante em sua abordagem alegórica ao tratar de Shiva, o deus Hindu da renovação e da destruição, perceptível que o escritor possui conhecimento após leituras sobre o tema:
<i>Braços de Shiva
Nossa linha horizontal nunca pendeu
Não enquanto não percebia meu jeito
De entender as coisas pela metade
Inclusive gostar pela metade
Amar pela metade
Metade de mim estava criando mundos
Eu sou de criação e você destruição
Outra metade tentava te segurar a mão
Enquanto um pássaro cantava,
Encantava e eu me perdia
Eu sou quadro emoldurado e você é tiner
Eu sou os segundos e você é as horas
Eu sou uma mãe e você era um aborto
Eu era disperso, mas você
Sempre foi absorto
Eu sempre fui tambor e você era chama
Fomos criados dos lados opostos de Shivá
Eu sou abhaya mudrá e você tromba paquiderme
Varuna e Surya lamentavam o tempo
Que nos deixava inermes
Estou criando novamente e você destruindo
Somos complemento da existência da vida
Quem sabe conseguiremos alcançar o nirvana
Nunca satisfizemos o kama
Talvez sós precisemos um do outro novamente
Não mais para destruir ou criar,
Mas somente transformar.
Primeiro que o Bruno escreve poesia em forma de poemas, e todos que me conhecem sabem meu apreço por poemas, venho acompanhando seus poemas na sua conta do PROPOST e são fascinantes. Bruno é só um carinha introspectivo, engraçado, que gosta de música escandinava, magrelo, branco, de óculo que passou em 1º lugar na minha turma. Este é o link do perfil de Bruno no PROPOST:
http://www.propost.com.br/autor/joeltoad
Seu último poema publicado, vejam a qualidade da obra, bela e interessante em sua abordagem alegórica ao tratar de Shiva, o deus Hindu da renovação e da destruição, perceptível que o escritor possui conhecimento após leituras sobre o tema:
<i>Braços de Shiva
Nossa linha horizontal nunca pendeu
Não enquanto não percebia meu jeito
De entender as coisas pela metade
Inclusive gostar pela metade
Amar pela metade
Metade de mim estava criando mundos
Eu sou de criação e você destruição
Outra metade tentava te segurar a mão
Enquanto um pássaro cantava,
Encantava e eu me perdia
Eu sou quadro emoldurado e você é tiner
Eu sou os segundos e você é as horas
Eu sou uma mãe e você era um aborto
Eu era disperso, mas você
Sempre foi absorto
Eu sempre fui tambor e você era chama
Fomos criados dos lados opostos de Shivá
Eu sou abhaya mudrá e você tromba paquiderme
Varuna e Surya lamentavam o tempo
Que nos deixava inermes
Estou criando novamente e você destruindo
Somos complemento da existência da vida
Quem sabe conseguiremos alcançar o nirvana
Nunca satisfizemos o kama
Talvez sós precisemos um do outro novamente
Não mais para destruir ou criar,
Mas somente transformar.
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