sexta-feira, 3 de agosto de 2012
O hiperrealismo de Ron Mueck
Mais uma vez venho tratar sobre o hiper-realismo, ultimamente tenho pesquisado bastante sobre esta estética e me deparado com vários artitas incríveis, um deles é Ron Mueck. O hiperrealismo é uma corrente relativamente jovem, surgindo por meados do séc. XX, a partir do fotorrealismo. As obras são extremamente realistas criando a ilusão de uma nova realidade na pintura e na escultura.
Ao visitar uma das exposições de Ron Mueck a sensação deve ser de estar em uma terra de gigante ou de miniaturas, pois suas obras nunca são em proporções humanas. Mueck é um artista Australiano, nascido em Melbourne em 1958, iniciou sua carreira confeccionando marionetes para um programa de Tv, algumas de suas marionetes podem ser vistas no filme Labyrinth – 1986 e em Sesame Street – Vila Sésamo.
(Labyrinth, 1986)
Vale ressaltar que ele tem possui um talento nato pois ele jamais teve acesso a uma formação artística acadêmica, Ron exerce sua profissão como escultor na Inglaterra.
Uma característica marcante em suas obras é a expressão facial dos modelos, sempre há uma fragilidade humana que imprime nas figuras esculpidas e o olhar quase sempre longe e pensativo, distraído e até meio triste.
Quanto ao material utilizado nas obras, no início Ron se valeu do látex devido a textura mais parecida com a do corpo humano, porém após um tempo ele queria um material com um tom mais rosado e semelhante a cor da pele, então descobriu a resina de fibra de vidro que se tornou a principal matéria prima de suas esculturas. Os pelos e cabelos – naturais, são colocados um por um, e dão a impressão de que estão realmente crescendo.
Uma de suas maiores esculturas possui cerca de cinco metros de altura, a escultura Boy 1999 foi exposta na Bienal de Veneza. Em 1999, a National Gallery de Londres, uma das mais famosas e prestigiadas do mundo, condecorou Ron MUeck como Artista Associado devido a qualidade impressionante de sua obras.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Alyssa Monks e o hiperrealismo
Alyssa está na minha pequena, porém notável lista de grandes artistas femininas,com apenas 34 anos ela e destaca pela perfeição de sua arte.
pinturas impressionantes criadas pela artista Alyssa Monks. As pinturas utilizam tinta a óleo sobre tela e produzem um efeito visual que se assemelha a fotografias.
A técnica que a pintora usa para criar suas pinturas deixa de boca aberta pelo fato de ser perfeitamente real, a esta vertente chamamos de hiperrealismo que é um gênero de pintura e escultura que tem um efeito semelhante ao da fotografia de alta resolução;
As texturas da pele usadas em diversos quadros são incríveis. As várias imagens expressam a sensualidade de corpos banhados em água e algumas vezes dando a impressão de afogamento, é impossível não notar a beleza e a realidade da imagem.
Acredite se quiser, MAS ISTO É UMA PINTURA!
Site oficial: http://alyssamonks.com/
Camille Claudeu, arte e exclusão
Camille foi uma criança fora dos padrões e alheia ao que se esperava de uma menina no século 19. Numa época em que as mulheres eram criadas para afazeres domésticos, ela estava sempre suja de barro e descabelada trabalhando em alguma escultura.
Camille chegou a Paris com apenas 17 anos, lá ela conheceu um dos maiores artistas de seu tempo, Auguste Rodin, de quem se tornou assistente musa e amante. Relacionamento que a entregou a decadência e a morte em um leito de hospício... Mas não tratarei aqui sobre fofocas.
Rodin, um dos maiores escultores franceses do séc. XVIII já havia escutado boatos sobre Camille, aluna muito talentosa da Academia Colarossi, uma escola que forma artistas escultores. Rodin visitou o ateliê de Camille e surpreendeu-se com a magnitude e perfeição de suas obras talhadas principalmente em mármore e granito.
Aos 19 anos ela recebeu um convite de Rodin que coincidiu com um momento particularmente importante na sua carreira, ele acabara de receber uma encomenda do governo francês para fazer As Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais, obras de grande porte que precisariam de ajudantes para ser feitas. Camille era uma artesã habilidosa e por isso ficou incumbida de fazer os pés e as mãos das estátuas, oportunidade que a abriu muitas portas.
Porta do Inferno (Musée Rodin)
Pesquisando sobre Camille infelizmente me deparei com um ambiente deplorável, ela quase sempre é posta em segundo plano, normalmente como mera sombra de Rodin, alguns sites chegam a afirmar que Claudel inspirou-se em Rodin, porém na verdade ela já possuía tais características e foi isso que chamou a atenção de Rodin, a proximidade das obras de ambos sem terem conhecimentos um do outro. Ela muita vezes é interpretada como uma louca obcecada tem qualquer talento para as artes.
Em 1998 foi lançado um filme sobre Camille Claudel, é um filme francês do gênero drama biográfico. Ainda não vi então não tenho o que opinar...
Esta é uma da maiores artistas escultoras, porém ainda muito desconhecida e renegada pela sua própria família. Creio que vale muito a pena conhecer a sua biografia e estética. Pesquisando pela internet, achei também muitos trabalhos bons, segue o links de alguns:
1) Camille Claudel: movimento, expressão simbólica e “loucura”
http://www.revista.art.br/site-numero-06/trabalhos/1.htm
2) Uma análise da dor e do dilaceramento nas obras de Camille Claudel, Florbela Espanca e Frida Kahlo.
http://www.ufjf.br/darandina/files/2011/08/Uma-an%C3%A1lise-da-dor-e-do-dilaceramento-nas-obras-de-Camille-Claudel.pdf
3) Camille Claudel: a revulsion of nature the art of madness or the madness of art?
http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v55n3/v55n3a12.pdf
terça-feira, 31 de julho de 2012
Augusto dos Anjos, o poeta do pessimismo
"Escarrar de um abismo noutro abismo,
Mandando ao Céu o fumo de um cigarro,
Há mais filosofia neste escarro
Do que em toda a moral do cristianismo."
(Augusto dos Anjos)
Este é um dos poeta que mai me influenciaram, que mais me fizeram a mergulhar neste mundo da poesia, posso confiar a Mario faustino e Augusto dos Anjos meus eternos agradecimentos por terem me mostrado o que é a beleza da escrita em formas de verso. Pela poesia podemos mergulhar em um mundo de interpretações com palavras profundas.
Posso ter muito de pessimista em alguns versos meus, mas a poesia é isto... A profunda expressão do eu lírico, o objetivo não é agradar ao outro, se fosse assim não haveriam as várias formas de expressões ao longo da história.
"A cada hora que passa, sopra o vento
Brisa leve que espalha o pó
Jaz nesse pó minha alma doentia
Levada pelo vento há de repousar em algum lugar
Partira para longe de mim...
Hoje sou um corpo rente a terra
Adormeço em um leito que já não reconheço
Olho em volta e a formas se contraem
Alucinação, surrealismo...Idealismo"
(Madlene)
Augusto dos Anjos é na verdade representante de uma experiência única na literatura universal: a união do simbolismo com cientificismo naturalista, sendo que muitas das vezes foi considerado um poeta pré-modernista pelas suas características expressionista.
Poeta brasileiro. Famoso pela originalidade temática e vocabular, na fase que antecedeu o modernismo, Augusto dos Anjos recorreu a uma infinidade de termos científicos, biológicos e médicos ao escrever seus versos de excelente fatura, nos quais expressa por princípio um pessimismo atroz.
Teve um único livro publicado em vida chamado “Eu” em 1912, suas outras poesias foram publicadas de forma esparsa após sua morte conforme iam sendo descobertas como verdadeiras relíquias.
Sua obra foi menosprezada e ele foi intitulado o poeta de versos aberrantes, pois cantava à predestinação do homem a morte não com o lirismo amoroso do romantismo, mas muito além do realismo ao falar da carne sendo consumidas por vermes e ao corpo virar pó.
O próprio Olavo Bilac, poeta parnasiano, o criticou bastante até mesmo após a sua morte. Conta-se que após o comunicado do falecimento de Augusto dos Anjos a Bilac ele nem mesmo conhecia o poeta, após a leitura de um de seus versos ele expressou: “Fez bem em morrer, não se perde grande coisa”. Bilac como um dos ícones do parnasianismo, era de se esperar tal posição, pois foi um movimento que valorizava extremamente a elaboração dos versos, a forma perfeita, Augusto ia totalmente contra estas característica...
Augusto foi um grande intelectual e bacharel em direito, a frente de seu tempo, um exemplar de do Eu faz parte da biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, por causa dos termos científicos que Augusto dos Anjos utilizava em suas composições, são centenas de termos técnicos científicos.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Forrest Gump na trilha do Rock and Roll
Escrevi este texto sobre a trilha sonora do filme Forrest Gump, uma das trilha mais célebres da história do cinema.
Bem, não vou postar este arquivo porque a seleção de fotos que fiz dando print foi massacrante e... já excluí todas do meu computador.Não rola postar este aquivo, sem estas fotos, pois elas são a essência para relacionar o momento do filme e a trilha sonora.
"No início do filme podemos ver Forrest ainda criança influenciando Elvis, isto nos remete a década de 50;podemos acompanhar o movimento hippie e a bandas que foram auge entre o movimento durante a década de 60 por criticar a Guerra do Vietnã e criar um clima de “paz e amor”; podemos ver o folk de Joan Baez e Bob Dylan despertando um sonho frustrado em Jenny em se tornar cantora, também na década de 60, momento em que o folk teve seu auge com suas canções políticas; vemos Forrest brigando na “festa de panteras negras”, segundo ele, ao som de Jimi Hendrix ou mais além, na década de 80 com Forrest mais velho e cansado querendo voltar para casa ao som de Bob Seger, que teve seu auge neste período."
Acessem o seguinte link:
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=forums&srcid=MDMwMTYxMzQ0MjQ3NDU2NzI1NjUBMDA2NDY4ODg2OTA1MTc0NjQzNzcBYTNiM2Y4YjItZWRlNS00ZTUyLWI4NTUtYmJhZWEyOTdjYjlkQGdvb2dsZWdyb3Vwcy5jb20BNAE&pli=1
Por: Madlene
The Doors – Oliver Stone. (Por que tanto decadentismo?)
Oliver Stone é diretor, roteirista, cronista e historiador especializado na década de 60, segundo ele: “esta foi à década de fortes turbulências”, Stone afirmava que a década começou em 63 com a morte de John Kennedy, e isto foi retratado no seu filme JFK, que foi incluído em quinto lugar na lista dos 25 filmes mais controversos de todos os tempos. Stone ganhou três Oscars, por Expresso da Meia Noite, Platoon e Nascido em 4 de Julho.
Por gostar bastante de fazer filmes que causem alguma polêmica, alguns críticos acusam Stone de ser um teórico da conspiração e que os seus filmes manipulam os espectadores, mas apesar disso muitos consideram também que Stone é considerado um dos melhores realizadores de Hollywood e também o mais controverso.
Após a morte de Jim Morrison em 1971 toda sua obra foi dividida em dois grupos representantes legais, de um lado havia os três integrantes restantes do The Doors (Manzarek, Krieger e Densmore) que possuíam os direitos legais das músicas, do outro lado havia Pamela Courson (namorada de Jim) que herdou todos os escritos e poemas que ele vinha trabalhando. Depois da morte de Pam, em 1974, os pais dela herdaram estes escritos que ficaram conhecidos como lost writings (textos perdidos).
Stone já alimentava a ideia de fazer um filme sobre o The Doors desde 1984, após a leitura do livro No One Here Gets Out Alive, livro básico sobre Jim Morrison e a história do grupo The Doors. Muitas restrições foram impostas para Stone após a ideia de gravar o filme, os pais de Pam, que haviam herdado os poemas e escritos, negaram
qualquer permissão para usá-los no filme. Também contrariando Stone, o próprio pai de Jim pediu para que não fizesse filme algum sobre seu filho, pois poderia vir a manchar ainda mais a sua imagem.
Boa parte do roteiro do filme foi baseado em entrevistas com cerca de 20 pessoas próximas a Jim. O filme The Doors foi lançado em 1° de março de 1991, exatamente 22 anos depois do concerto em Miame em 1969, onde Jim saiu de si juntamente com o público e foi condenado por obscenidade, consumo de droga, etc. Para quem gosta do grupo e
principalmente para quem conhecia mais profundamente a personalidade e a obra de Jim Morrison, se decepcionou bastante com o enredo pobre que mostra Jim constantemente vivendo a base de alucinógenos e álcool, totalmente depressivo e autodestrutivo, assim como não é mostrada a união que havia entre os membros do grupo. Sem contar o Jim como a figura Dionisíaca ao extremo, o deus do sexo e das drogas, que havia a constante necessidade de “levantar” seu espírito como um xamâ ao entrar em transe para assim hipnotizar multidões.
É inútil procurar a verdadeira alma de Jim, o poeta intelectual que começou a ler obras de grandes escritores com apenas 13 anos, fica difícil saber quando ele teria tempo para ler Nietzsche, T.S. Eliot, Rimbaud, Baudelaire, Blake e Shakespeare ou até mesmo quando ele teria escrito e publicado seus poemas.
Na ocasião do lançamento do filme, Ray Manzarek, tecladista e membro fundador da banda, detestou o que viu. “Stone fez Morrison parecer um tarado. Jim era muito mais inteligente, sensível e artístico, muito mais do que a estranha e superficial ideia que Stone exibiu. É um mau retrato do meu amigo”. Manzarek ainda sintetizou que “nós
nos divertimos muito e tivemos ótimos momentos juntos” agora assista a The Doors, o filme e perceba como Stone coloca a relação da banda em queda descendente, com a ridícula exceção de uma “reunião final” onde os músicos dizem que adoraram tocar com o "Rei Lagarto" e ele se despede.
Após o lançamento do filme a crítica americana se apresentou bastante desfavorável, porém a crítica de Paris, Roma e Londres foram bem mais acolhedoras. Por si só Stone é conhecido como um diretor polêmico, não estou aqui limpando sua imagem perante a direção do filme, apena quis mostrar uma questão histórica que pouquíssimos
conhecem em relação a elaboração do filme The Doors, o porquê da ausência de Jim Morrison como um dos mais célebres poeta do rock and roll.
Podemos concluir com estes dados históricos que se Oliver Stone tivesse acesso a toda obra literária de Morrison, que a família de Pam lhe negou qualquer aceso, o filme poderia ter sido melhor e muito bem aceito pelo público apreciador do grupo, é principalmente para os fãs do “Rei lagarto”. Stone deu a seguinte declaração para uma
revista logo que começaram as gravações do filme: “Se meu filme for um fracasso, ele poderia ter sido salvo se tivesse podido usar os poemas”.
Para quem quiser conhecer a obra literária de Jim:
A obra “literária” de Jim Morrison está hoje contida em dois volumes bilíngues, editados na França: Lords and New Creatures (Seigneurs et Nouvelles Créatures) e Une Prière Américaine et Autres Ecrits.
OS HABITANTES DA COLINA
Bem no fundo do cérebro
Passando bem no limiar da dor
Onde nunca há nenhuma chuva
E a chuva cai suavemente sobre a cidade
E sobre as cabeças de todos nós
E no labirinto de correntes por baixo
Sossegada e celeste é a presença de
Nervosos habitantes do monte nos
suaves montes de volta
Répteis com fartura
Fósseis, cavernas, frescas elevações de ar
Cada casa repete um molde
Um carro de besta trancado contra a manhã
Todos dormem agora
Cobertores silenciosos, espelhos livres
Há pó debaixo das camas de casais legítimos
Enrolados em lençóis
E filhas, enevoada com sêmen.
Olhos nos seus mamilos
Esperem! Ouve um massacre aqui
Não pares para falar ou olhar em volta
As tuas luvas e o leque estão no chão
Vamos sair da cidade
Vamos de fuga
Por: Madlene
terça-feira, 24 de julho de 2012
Affonso Romano de Sant'Anna: poesia atemporal e vanguardismo.
Venho falar a repeito de um grande poeta brasileiro que não é de grande conhecimento público, nunca foi tema de vestibular ou teve um de seus poemas musicalizados, porém possui uma vasta obra fantástica e atemporal, um poeta que trata do tempo de maneira realista e crítica, características que lhe concederam diversos prêmios literários nacionais.
Affonso Romano de Sant'Anna é um dos poetas que durante os anos 60 participou dos
movimentos de vanguardas que deram uma “nova cara” às artes, neste caso a poesia, com esse movimento houve a ruptura das correntes poéticas já amadurecidas (arcadismo, barroco, romantismo, simbolismo, etc.), o que fez com que a poesia criasse uma nova linguagem e trajetória. Foi taxado como um neoliberal e participou ativamente dos movimentos políticos e sociais que marcaram o Brasil durante este período.
CARTA AOS MORTOS é um dos meus preferidos poemas de Affonso Romano, publicado no livro
“O Lado Esquerdo do Meu Peito" (1991 - Rocco/RJ), trata sobre a imutável condição do mundo, a ilusão do progresso e a velha estupidez que sempre assolou a humanidade.
Acredito que inexplicavelmente, o inevitável sentimento de impotência paira sobre a alma de quem ler este excelente poema escrito em 1991, pode-se dizer que a questão social, resultado de uma política corrupta é a inspiração para tais versos, vale ressaltar que é uma das abordagens mais comuns de sua obra.
Segue ele na íntegra e logo após uma breve análise de alguns versos.
CARTA AOS MORTOS
Amigos, nada mudou
em essência.
Os salários mal dão para os gastos,
As guerras não terminaram
E há vírus novos e terríveis,
Embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
Tomba morto por questões de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
E como sempre, mulheres portentosas
Nos seduzem com suas bocas e pernas,
Mas em matéria de amor
Não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
Seis meses ou mais, testando a engrenagem
E a solidão.
Em olimpíada há recordes previstos
E nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
Com a modernidade.
Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
Relemos o Quixote, e a primavera
Chega pontualmente cada ano.
Alguns hábitos, rios e florestas
Se perderam
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
Ou toma a fresca da tarde,
Mas temos máquinas velocíssimas
Que nos dispensam de pensar.
Sobre o desaparecimento dos dinossauros
E a formação das galáxias
Não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
Países se dividem
E as formigas e abelhas continuam
Fiéis ao seu trabalho.
Nada mudou em essência.
Cantamos parabéns nas festas,
Discutimos futebol na esquina
Morremos em estúpidos desastres
E volta e meia
Um de nós olha o céu quando estrelado
Com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração, insolente,
Continua a achar
Que vive no ápice da história
“Amigos, nada mudou/ em essência”.
Os versos iniciais podem resumir todo o sentimento de frustração com o mundo que Affonso deseja expor neste poema, os tempos mudaram, mudaram-se a arquiteturas, as modas e o mundo tornou-se veloz...
Devido sua frustração com a política nacional vigente em tal período, entende-se que estes versos retratem uma sociedade que vive a margem, sempre sob o domínio da burguesia, seja durante um governo absolutista ou republicano. Porém ainda há toda a
prevalência do imutável que pode ser entendido como a condição humana e seus costumes, esta condição que está claramente visível nos versos “mas em matéria de amor/ não inventamos nenhuma posição nova”.
“Alguns cosmonautas ficam no espaço/ seis meses ou mais, testando a engrenagem/ e a
solidão.”
A ciência progride, resultado da intensa capacidade humana de buscar o conhecimento que lhe dará a oportunidade de conhecer novos caminhos. O que dizer do astronauta aposentado e López-Alegría, de 53 anos, recordista por possui 257 dias fora de órbita, em 10 viagens realizadas.
Alcançamos o espaço, conhecemos as galáxias, mas em troca temos a solidão, a nossa única companheira, sendo ela um dos resultados deste avanço.
“Mas nenhum pássaro mudou seu canto/ com a modernidade.”
Falando biologicamente houve mudanças sim... São mudanças que resultam em subespécies,
Mas não vem ao caso...
“Ninguém mais coloca cadeiras na calçada/ ou toma a fresca da tarde.”
Temos hoje uma sociedade assolada pelo medo constante, a violência tem voz e impõe suas
ações no nosso cotidiano. Não mais teremos aquele clima bucólico de décadas atrás de estar na porta de casa com a família e conhecer quem vive ao redor. Estamos mais enclausurados a cada dia e quase impossibilitados da capacidade de conviver com o próximo.
“e volta e meia/ um de nós olha o céu quando estrelado/ com o mesmo pasmo das cavernas/ e cada geração, insolente/ continua a achar/ que vive no ápice da história.”
Por mais que a modernidade avance, e como diria Mario Faustino “A vanguarda do não avança e vence”, ainda contemplamos o comum, contemplamos o que de mais simples que acontece todos os dias. Por que será que quando o ambiente urbano veloz nos cansa temos o anseio pelo clima bucólico? Por que frente a tantas distrações ainda há a contemplação do por do sol? E como é resaltado no poema, a contemplação do céu estrelado.
Temos tudo o que criamos em mãos, avançamos em matéria de ciência, mas ainda admiramos o comum com o pasmo ancestral entranhado nas veias.
Para quem tiver interesse em conhecer mais sobre Affonso Romano de Sant’Anna pode acessar o Seu blog, segue o link:
http://affonsoromano.com.br/blog
Por: Madlene Nunes
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